domingo, 19 de fevereiro de 2012

TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS: LIBERAL RENOVADA PROGRESSISTA E RENOVADA NÃO – DIRETIVA: PRÁTICAS DE SALA DE AULA.

                                                                                                                                        Socorro Aguiar
“A ação pedagógica pressupõe, portanto, a compreensão do significado social de cada comportamento, no conjunto das condições de existência em que ocorre”.
 Libâneo.

A prática escolar existe a partir do momento em que há a concretização das condições que asseguram o verdadeiro trabalho docente. Embora tais condições não estejam relacionadas apenas no pedagógico, pois a escola cumpre funções que lhe são dadas pela sociedade a qual é formada por classes sociais com interesses diferentes. Assim concebida, há diferentes concepções do homem e da sociedade, e, consequentemente, há divergências em relação aos pressupostos sobre o papel da escola.
Várias são as tendências pedagógicas adotadas numa prática escolar pelo professor. Nos dias atuais, concebe-se que há uma mesclagem de tendências para a efetivação do fazer pedagógico. Por isso é que todos os educadores devem repensar na sua atuação.
A importância do conhecimento de cada uma é salutar para que haja uma identificação e apropriação melhor de algumas no processo de ensino aprendizagem.
Ao falar sobre as tendências pedagógicas em especial da Liberal Progressista e Renovada não – diretiva faz-se necessário o estudo direcionado de cada uma para melhor entendimento.
TENDÊNCIA LIBERAL RENOVADA PROGRESSISTA
Segundo Libâneo (1994), a Pedagogia Renovada surge no velho mundo no final do século XIX, em meados de 1920, como contraposição à Pedagogia Tradicional. Várias correntes e variantes podem ser associadas à Pedagogia Renovada, todas elas incluindo elementos de uma pedagogia ativa. Entre as várias correntes destaca-se a linha progressivista, baseada na teoria de John Dewey. Seus precursores além de John Dewey foram também William Kilpatrick, Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo, Paschoal Leme.
Esta tendência surge no Brasil na década de trinta para o ensino de Educação Infantil e atualmente ainda influencia muitas práticas pedagógicas.
O papel da escola nesta tendência é o de ordenar as necessidades individuais do meio social. Com esta adequação as experiências devem satisfazer aos interesses do aluno e as exigências sociais, facilitando a  interação entre estruturas cognitivas do indivíduo e estruturas do ambientais.
Os conteúdos são elaborados em função de experiência que os educandos vivenciam frente aos desafios e problemáticas de seu dia-a-dia, pois o conhecimento acontece da ação a partir dos interesses e necessidades de cada um deles.
O método parte do princípio de “aprender fazendo”. São valorizadas a solução de problemas, as pesquisas, o estudo dos meios naturais e sociais, as  descobertas,bem como as  tentativas experimentais. Portanto, é considerado  ativo sendo também desafiante. O trabalho em grupo é uma necessidade primordial para o desenvolvimento mental do educando.
Para Piaget é uma tomada de consciência a aprendizagem por meio da descoberta, é uma auto-aprendizagem, o ambiente torna-se um meio estimulador para compor a estrutura cognitiva a ser empregada em novas situações de aprendizagem.
SNYDERS (1977) explica que na relação professor-aluno não há lugar privilegiado para o professor; seu papel é o de auxiliar o desenvolvimento livre e espontâneo da criança; se intervém, é para dar forma ao raciocínio dela. A disciplina surge de uma tomada de consciência dos limites da vida em grupo. O aluno disciplinado é aquele que é solidário, participante, respeitador das regras do grupo.
TENDÊNCIA LIBERAL RENOVADA NÃO-DIRETIVA
"A única coisa que se aprende e realmente faz diferença no comportamento da pessoa que aprende é a descoberta de si mesma". Carl Rogers
Nesta tendência a preocupação da escola é com as questões psicológicas do aluno, as atitudes, esquecendo um pouco as pedagógicas e sociais. Clima favorável à mudança do indivíduo. Boa educação, boa terapia (Rogers)
O ensino tem como finalidade criar mecanismos para que o aluno procure chegar ao conhecimento por si próprio.
O professor exerce o papel de “facilitador” aceitando a pessoa do aluno, está confiável, receptivo e convicto na capacidade do auto-desenvolvimento do educando.
O seu trabalho é proporcionar ao estudante a organização, através de técnicas de sensibilização para que os sentimentos de cada um sejam explicitados, sem obrigação. O professor torna-se um especialista em relações humanas,ao garantir um clima de relacionamento pessoal e autêntico.
Snyders, citado por Carvalho, R.M.B (1984), ao analisar a escola nova, diz que é “perigoso”, pois as qualidades e os problemas são colocados contra os objetivos da educação o que se refere a formação plena do indivíduo, com liberdade, autonomia, originalidade, capacidade crítica e de intervenção na realidade.
“Aquilo que existe de muito importante na pedagogia não diretiva é o desejo da felicidade do aluno, (...). Mas o que nessa pedagogia me parece perigoso é o risco de conformismo, porque o desejo dos alunos não vai, por si próprio, além dos seus limites de classe social, bem como um risco de cepticismo, por não se ousar, não se poder ousar, fazer com eles um trabalho de aprofundamento e desmascaramento das ideologias. O meu sonho consistiria em unir os valores positivos da pedagogia não-diretiva a um processo que jogaria também com os conteúdos do ensino e com as idéias de que os alunos devem se apropriar”. (SNYDERS).
Em se tratando da avaliação, a busca da auto-realização pessoal motiva a própria auto-realização e assim o educando aprende e modifica sua visão de mundo. Diante disto não há avaliação, prevalecendo então à auto-avaliação.
Quadro síntese das tendências Liberal Renovada Progressista e não-diretiva (Escola Nova).
Nome da Tendên-cia Pedagó-gica
Papel da Escola
Conteúdos
Métodos
Professor
x 
aluno
Aprendizagem
Manifesta-ções
Tendência
Liberal Renova-da Progres-sista.
A escola deve adequar às necessi-dades individu-ais ao meio social.
Os conteúdos são elaborados a partir das experiências vividas pelos alunos frente às situações problemas.
Por meio de experiên-cias, pesquisas e método de solução de problemas.
O professor é auxiliador no desenvolvi-mento livre da criança.
Baseia-se na motivação e na estimulação de problemas.
Montessori Decroly
Dewey
Piaget
Lauro de Oliveira Lima
Tendên-cia
Liberal Renova-da não-diretiva (Escola Nova)
Formação de atitudes.
 A busca dos conhecimentos dá-se pelos próprios alunos.
Baseia-se na facilitação da aprendi-zagem.
Educação centralizada no aluno e o professor é quem garantirá um relaciona-mento de respeito.
Aprender é modificar as percepções da realidade.  Aprender a aprender
Carl Rogers, "Sumermerhill" escola de A. Neill.
Extraído do Site do Professor: http:/www.aol.com.br/professor. (Adaptado)
Conclui-se, portanto, há necessidade na vida do professor de um aprimoramento maior sobre tais tendências, uma vez que na prática cotidiana das escolas e dos professores, há misturas de tendências e posturas. Elas não se apresentam puras nas práticas pedagógicas, mas formam uma mesclagem, que constitui o nosso sistema educacional.

REFERÊNCIAS
ARAÚJO, Denise Silva. A construção do consenso nos anos 1990 e os organismos internacionais. Disponível em http://professor.ucg.br/siteDocente/home/disciplina.asp?key=3172&id479 .
CARVALHO, Roberto Muniz Barretto de Carvalho. Georges Snyders: em Busca da Alegria na Escola, Dissertação de Mestrado, PUCSP, 1996 Disponível em http://www.periodicos.ufsc.br
FREIRE, P. 1996. A Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Cortez.
GADOTTI, M. 1995. História das Idéias Pedagógicas. São Paulo: Ática.
LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da Escola Pública. São Paulo: Loyola, 1990.
_________________.Democratização da Escola Pública Crítico Social dos Conteúdos. São Paulo, Loiola, 15ª edição, 1985.
_________________. Didática, Cortês, 1994
LUCKESI, Copriano C. Filosofia da Educação. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2001.
SAVIANI. Dermeval. Escola e democracia. 31 ed. Campinas: Autores Associados, 1997.

Escrito por: Socorro Aguiar.

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